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sábado, 2 de julho de 2016

Delator diz que pagou R$ 5 milhões em caixa dois para senador Eunício Oliveira

Eunício teria recebido dinheiro de caixa dois
para a campanha ao Governo do Estado em 2014
O ex­-diretor da Hypermarcas, Nelson Mello, afirmou em sua delação premiada que pagou, por meio de contratos fictícios, R$ 5 milhões em caixa dois para a campanha do senador Eunício Oliveira (PMDB/­CE) ao governo do Ceará em 2014.

O pagamento teria ocorrido a pedido do lobista Milton Lyra, que foi alvo de buscas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta-­feira, 01/07, ele é ligado à cúpula do PMDB no Senado. Segundo Nelson Mello, Lyra lhe informou que um emissário de Eunício o procuraria em 2014, e então um sobrinho do senador, de nome Ricardo, pediu ajuda financeira à candidatura.

"Pagou despesas de empresas que prestava serviços à campanha de Eunício Oliveira; que ajudou mediante contratos fictícios", disse Nelson de Mello. O delator informou que foram firmados contratos fictícios com três empresas, sem a prestação de nenhum serviço. "Ao final se providenciou uma nova nota fiscal para totalizar R$ 5 milhões", relatou.

Mello também revelou, em sua delação, que chegou a tratar pessoalmente com o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB­RJ), sobre cobranças de pagamentos que o operador Lucio Bolonha Funaro lhe estava fazendo, segundo Mello, em nome de Cunha. O executivo contou que Funaro o chamou "para um café" e disse que o texto de uma emenda na medida provisória nº 627, sobre assunto tributário, de interesse de Mello havia sido publicado "conforme o acordado" anteriormente com o operador. O trecho custaria R$ 3 milhões na forma de apoio em campanha eleitoral, mas Mello relutava em pagar porque entendia que o texto "era diferente do que tinha sido acordado".

Logo depois desse café, disse Mello, ele "informou" a Eduardo Cunha que o texto convertido em lei "não atendia" os interesses dele, "pelo contrário, trazia mais dúvidas". Por isso, Mello entendia que não devia "dar o apoio político".

Em resposta, Eduardo Cunha teria dito, "como que conduzindo o depoente [Mello] para fora da sala", que "se resolvesse o problema com Funaro, veria em que poderia ajudar".

Mello disse que depois dessa conversa com Cunha ele aceitou pagar a Funaro um total de R$ 2,9 milhões por meio de duas empresas controladas pelo operador. O dinheiro saiu de duas subsidiárias da Hypermarcas. "Os contratos eram fictícios porque não houve aprestação de serviços", disse Mello.

CONTRATOS
Nelson Mello relatou ter firmado diversos contratos fictícios com empresas de Milton Lyra que, segundo ele, eram solicitadas pelo lobista como pedido de "ajuda para os 'amigos'", mas sem especificar quem receberia os recursos. Para Nelson Mello, "os amigos seriam os senadores apresentados pelo Milton Lyra" em um jantar, mas nunca houve referência nominal a eles nos pedidos. Os senadores citados como os que havia conhecido eram, além de Eunício, Eduardo Braga (PMDB­/AM), Romero Jucá (PMDB­/RR) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB­/AL).

Os contratos fictícios com Lyra para ajudar "os amigos" totalizaram R$ 15,7 milhões, segundo depoimento do delator que consta do pedido de busca e apreensão contra o lobista.

OUTRO LADO
A defesa do senador Eunício, representada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, informou que todas as despesas de sua campanha "estão declaradas e dentro da legalidade". Afirmou que a Hypermarcas fez doação legal à campanha dele e disse que Ricardo, o sobrinho do senador, nem conhece Milton Lyra.

Nesta semana, a Hypermarcas divulgou nota afirmando que não é objeto da investigação e que "não se beneficiou de quaisquer dos atos praticados". Informou ainda que acertou acordo com Mello por meio do qual "assegurou ressarcimento integral pelos prejuízos sofridos". Diz também que ele "autorizou, por iniciativa própria, despesas sem as devidas comprovações das prestações de serviços".

Os senadores Renan, Jucá e Braga tem negado o recebimento de propina ou envolvimento com irregularidades.

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