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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Espécie invasora de coral é percebida pela primeira vez no litoral cearense

A aproximadamente 42 km da costa de Itarema, município distante 204km de Fortaleza, mergulhadores encontraram corais-sol (cnidário do gênero Tubastraea) no mar, pela primeira vez no Estado. A espécie é invasora, natural das águas do Oceano Pacífico e pode causar danos ao ecossistema marinho nativo. 

No último 14 de maio, mergulhadores viajaram 4 horas e meia da costa de Itarema com objetivo de conhecer o “Petroleiro do Acaraú”, navio que acredita-se ter sido naufragado por um submarino italiano ainda no meio da Segunda Grande Guerra. Não se sabia que a visita histórica poderia resultar em novas descobertas, mas foi o que aconteceu. Incrustados no navio, o antozoário coral-sol, exótico à fauna do Oceano Atlântico.

Marcus Davis Andrade, instrutor integrante da equipe de mergulho e um dos pesquisadores organizadores do Atlas de Naufrágios do Ceará (livro publicado em dezembro de 2015 que lista e conta a história dos naufrágios conhecidos no litoral cearense), disse ter percebido a espécie. “Notei esse coral róseo-amarelado, diferente dos que eu conhecia por aqui, bem colonizado no navio”. Ele fez fotos da descoberta inédita e publicou em redes sociais, o que chamou a atenção de pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (Labomar-UFC), que confirmaram a presença do coral-sol. 

Para se alimentar, o coral-sol usa tentáculos que saem de seu esqueleto calcário. Neste movimento, o animal tem forma parecida com o desenho de um sol. Daí o nome popular dado à espécie. Além da beleza, os riscos também são evidentes.

O cnidário se reproduz rapidamente, sendo então apontada como grande risco ao equilíbrio ambiental por “não ter predadores naturais e competir por espaço com as espécies nativas, desestruturando a comunidade nativa daquele ecossistema”, conforme Caroline Vieira Feitosa, doutora em Oceanografia e professora do Labomar. Ela explica que a plânula (larva do coral) precisa de uma base rígida para se assentar, como rochas e cascos de navios. Este espaço então pode ser perdido por espécies nativas devido à rápida proliferação do coral sol, o que reduziria a população das espécies locais.

Não é possivel saber como o coral chegou ao Ceará, segundo Caroline. A maior suspeita é de que tenha vindo em águas de lastro (água do mar captada para garantir a estabilidade das embarcações) de navios petroleiros, uma vez há plataformas petrolíferas na região.

Futuras pesquisas especializadas determinarão a área ocupada pelo coral, a influência da espécie na fauna marinha nativa e possíveis soluções para o problema.

Questão legal
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) aponta que o coral-sol (Tubastrea tagusensis e Tubastrea coccinea) teria chegado ao Brasil ainda nos anos 1980, e hoje atinge costões rochosos do litoral do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Alagoas. Agora, a presença no Ceará também foi comprovada.

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e de Sergipe moveu ações contra Petrobras, Transpetro e estaleiros no ano passado, visando a tornar obrigatórias inspeções nas embarcações, evitando assim o transporte indesejado de organismos invasores.

O Labomar foi notificado pelo MPF no Ceará, para que a Universidade fornecesse registros da presença do coral-sol. Contudo, ainda não havia provas. Procurado pelo O POVO para saber da retomada da ação, o MPF-CE não atendeu às ligações na noite desta segunda-feira, 11.

O Povo

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