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domingo, 27 de novembro de 2016

JERICOACOARA: Paraíso perdido?

Não é exagero afirmar que o mundo se encontra em Jericoacoara, especialmente nesta época do ano, quando os ventos fortes atraem velejadores do Brasil – e do mundo inteiro. Jericoacoara é o típico destino que evoluiu com a “propaganda boca-a-boca” e só ganhou maior destaque no fim da década de 80, ao ser descoberto pelos turistas e pela mídia estrangeira.

Mas “Jeri”, como é chamada pelos locais, está em processo de saturação. É um momento delicado para um destino que se firmou como sonho de consumo, a exemplo de Fernando de Noronha. Empreendimentos hoteleiros desfiguram a paisagem e avançam sobre a praia, já se ouve falar em drogas pesadas e o recolhimento e a reciclagem do lixo são preocupações imediatas. 

Desde 2015, a coleta seletiva passou a fazer parte do lugar quando empresários se uniram para tentar minimizar o impacto causado pelo lixo e criaram a ONG Eu Amo Jeri. A especulação imobiliária também está empurrando os habitantes para Jijoca e Preá.

A população começou a receber ofertas astronômicas por seus terrenos, muito mais do que valem. Fora esses problemas, o plano de Requalificação Urbana está agitando ambientalistas e comunidade, que querem impedir a implementação de parte do Plano Diretor. 

Já o Parque Nacional de Jericoacoara, área de preservação que circunda a vila, tem plano de manejo implementado a passos de tartaruga e carece de maior fiscalização por parte do ICMBio, bem como de uma normatização para o uso das trilhas. A notícia de que o aeroporto deve começar a operar em dezembro é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que encurta a distância, pode atrair o turismo de massa para um destino com pouca infraestrutura. O comércio também mudou. Há mais ambulantes nas ruas e bugues – que não poderiam circular nas praias –, mas não existe fiscalização das esferas municipal e estadual.

A vila que ainda tem ruas de terra, iluminação baixa e atmosfera de despojamento – corre o risco de perder aquilo que lhe é mais caro, a essência de uma vila de pescadores e o proposital isolamento. As soluções imediatas seriam um plano diretor racional, uma política de manejo do parque e a delimitação do número de visitantes, inclusive com criação de uma taxa de permanência.

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