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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Desmatamento atinge as dunas de Itarema, Cruz, Acaraú e Amontada

No Município de Itarema, foram suprimidos 188 hectares de vegetação de restinga,
segundo levantamento da SOS Mata Atlântica com o Inpe
O Estado do Ceará apresentou, na lista nacional dos municípios que mais desmataram suas áreas de Mata Atlântica e ecossistemas associados, entre os anos de 2015 e 2016, 17 das suas 184 cidades. Trairi, no Litoral Oeste, se destaca com a eliminação de 325 hectares de vegetação nativa. Na sequência, estão Itarema (188ha), também no Litoral Oeste; e Aquiraz (103ha), na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Os municípios de Cruz (64ha), Acaraú (20ha) e Amontada (18ha), todos no Litoral Oeste, também estão na lista. Todas são áreas de restinga (vegetação de dunas). 

A lista aponta, no entanto, os estados da Bahia e Piauí como os destaques do Nordeste, com 30 e 7 municípios, respectivamente, no ranking dos com maior supressão de mata nativa. O levantamento foi realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que lançam, neste mês, o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica 2017. 

Redução

Hoje, com 6.605 hectares, o que representa apenas 9,17% da Mata Atlântica original, Itarema sofre a falta de políticas públicas para minimizar os impactos causados pela crescente degradação de sua vegetação. Tendo como principais fontes de renda a pesca, o extrativismo (carnaúba e coco) e o contracheque do funcionalismo público, 70% dos habitantes vivem na zona rural, com faixas de terra que englobam formações naturais como mangue (1.152 ha), restingas (4.632 ha) e dunas (548 ha). 

Segundo Valda da Costa, coordenadora de Meio Ambiente da Secretaria de Turismo, Meio Ambiente e Pesca do Município, além das dificuldades de logística, as queimadas têm anulado as ações propostas para mudar essa dura realidade. Os focos, que fogem do controle durante a limpeza dos roçados, e se tornam incêndios, seriam os responsáveis diretos pela diminuição gradativa das áreas de Mata Atlântica no Município, segundo ela, que aponta como problema, também, a sucessiva troca de gestores da pasta da qual ela faz parte.

"Ainda não conseguimos montar uma equipe integrada a outras secretarias que possa executar um programa direcionado a minimizar o impacto negativo das constantes queimadas, utilizadas no preparo do solo pelos agricultores. Não temos uma brigada contra incêndio, muito menos efetivo suficiente, que se dedique a monitorar essas áreas, mesmo com a realização de campanhas de conscientização", alerta a coordenadora.

Ameaça

Segundo Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, é lamentável que os municípios do Nordeste ainda permitam o desmatamento. Segundo o coordenador de Biodiversidade da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Leonardo Borralho, o governo do Estado vem buscando estratégias para garantir a preservação desse bioma, sendo uma delas a implementação dos Planos Municipais da Mata Atlântica (PMMA). Ainda segundo ele, em 2016, foi instituindo o Programa de Valorização das Espécies Nativas no Estado do Ceará, e o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica está em processo de reestruturação.

Blog O Acaraú com informações
do Diário do Nordeste

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