sábado, 15 de setembro de 2018

150 Anos de Padre Antônio Tomás - O Príncipe dos Poetas

Se vivo, Padre Antônio Tomás (In Memoriam) teria completado nesta sexta-feira, 14/09, 150 (cento e cinquenta) anos. O Príncipe dos Poetas, título lhe dado por ter sido o melhor dentre os poetas vivos do estado, nasceu em Acaraú, no dia 14 de setembro de 1868. Filho do professor Gil Tomás Lourenço e de dona Francisca Laurinda da Frota. Cursou latim e francês em Sobral, e concluiu seus estudos no Seminário de Fortaleza, onde foi ordenado sacerdote, em 1891.

Passou longos anos a serviço da Igreja Católica, em paróquias do interior cearense, notadamente como vigário de sua terra natal, levando vida modesta e apagada, dedicado a sua missão, escrevendo versos e cuidando de sua paróquia. Exerceu o paroquiato durante trinta anos, tendo sido vigário de Trairi e de Acaraú, de 1892 a 1924, quando por motivo de saúde, deixou o exercício do múnus paroquial, a que dedicara todas as reservas da sua atividade apostólica.

Iniciou-se na publicação de seus sonetos, no ano de 1901, quando o Almanaque do Ceará, daquele ano, publicou o soneto Post-Laborem. Escreveu dezenas de sonetos que eram levados à imprensa pelos amigos, já que na sua humildade e timidez procurava fugir à publicidade. Recebeu, entretanto, ainda em vida, consagração popular, sendo eleito, Príncipe dos Poetas Cearenses, num pleito realizado pela revista Ceará Ilustrado, em 1925.

O acarauense Padre Antônio Tomás está classificado entre os maiores sonetistas brasileiros, gênero a que mais se dedicou, escrevendo também composições de feição e ritmos variados, caracterizando-se por sua independência em relação a qualquer movimento ou escola literária. Foi membro da Academia Cearense de Letras, em 1919, eleito sócio do Instituto do Ceará. Faleceu em Fortaleza, em 16 de julho de 1941, sendo sepultado no dia seguinte, na Igreja Matriz da Cidade de Santana do Acaraú, Ceará.

Soneto de Padre Antônio Tomás

A morte do jangadeiro

Ao sopro do terral abrindo a vela, Na esteira azul das águas arrastada, Segue veloz a intrépida jangada Entre os uivos do mar que se encapela.

Prudente, o jangadeiro se acautela Contra os mil acidentes da jornada; Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada O vento, a chuva, os raios, a procela.

Súbito, um raio o prostra e, furioso, Da jangada o despeja na água escura; E, em brancos véus de espuma, o desditoso.

Envolve e traga a onda intumescida, Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.

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