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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Doença Diarreica Aguda (DDA) se multiplica no interior do Estado. Casos são registrados na Vila de Jericoacoara

O número de casos da Doença Diarreica Aguda (DDA) cresceu no interior do Estado, neste início de ano. Segundo especialistas, o período chuvoso potencializa os riscos de doenças transmitidas por bactérias, vírus e parasitas. Na Vila de Jericoacoara, no litoral oeste, o acúmulo de lixo - apesar de a coleta regular e seletiva - se torna ambiente propício à proliferação de moscas e outros insetos. 

O resultado é o crescente número de casos de viroses que têm acometido, tanto os moradores, quanto os turistas, que buscam nesta época do ano, as calmas águas da Vila e suas belezas naturais para fugir do estresse de suas cidades. Foi o caso do goiano Rodrigo Costa, 38, em visita à badalada praia pela segunda vez. Logo nos primeiros dias das férias no litoral cearense, os sintomas começaram a ocorrer. "Eu tive um quadro de vômito persistente, assim como outras pessoas do meu grupo, que também apresentaram casos de diarreia. Cedo, buscamos a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, onde nos informaram que se tratava de uma virose causada pela mosca", disse o nutrólogo. 

Ao ser atendido e medicado, Rodrigo Costa percebeu o grande número de pacientes que chegavam à UPA com os mesmos sintomas. Em conversa com alguns deles, o turista estranhou a forma natural com a qual tratavam o caso. "Eu não tive na unidade de atendimento nenhuma orientação sanitária de como deveria proceder para não propagar essa infecção. O pessoal comentava que isso ocorria com frequência nesta época do ano. Todo mundo assumia a intoxicação como sendo culpa das moscas, como se isso não pudesse ser evitado", disse o turista que ficou dias acamado.

Preocupado, Rodrigo passou a observar melhor o que ocorria com os alimentos que eram servidos. "Eu percebi que não havia nenhum tipo de ação sanitária simples para impedir isso, tanto no hotel de alto padrão, onde me hospedei, quanto em outros estabelecimentos que lidam com alimentos. Vi janelas de cozinhas sem telagem, comidas expostas sem cobertura necessária e pessoas manipulando alimentos, ou turistas se alimentando, sem o uso anterior de álcool em gel, que não vi exposto em nenhuma mesa; ações mínimas que podem evitar esse tipo de problema", reforçou Costa. 

Prevenção

De acordo com Jéssica Albuquerque, diretora da UPA de Jericoacoara, os casos de infecção tiveram aumento considerável na Vila. Cerca de 30 pacientes foram atendidos logo na primeira semana de janeiro, entre crianças e adultos. "Ao longo das semanas, esse número foi aumentando. Além de moradores, muitos turistas também têm buscado a unidade. Muitos já apresentam sintomas logo no primeiro dia de estadia. Nós temos desenvolvido um plano de tratamento para quem busca a UPA. É importante que o turista tenha cuidado com a alimentação, higienização e hidratação durante a viagem", detalhou Albuquerque.

O secretário de Saúde de Jijoca de Jericoacoara, Ângelo Nóbrega, destacou procedimentos adotados pelos profissionais. "A Secretaria tem orientado a população com palestras e medidas preventivas, como campanhas em estabelecimentos que recebem turistas ou comercializam alimentos", disse.

Embora seja conhecida como "doença da mosca" ou "virose da mosca", o inseto, no entanto, não é o único transmissor dessa virose, notificada como Doença Diarreica Aguda (DDA). A virose ganhou este "apelido" devido à época mais chuvosa do ano, onde aumenta a proliferação de moscas. A doença pode ser transmitida por vírus, bactérias ou parasitas. Tanto a mosca como o rato, a barata, formiga e até mesmo o ser humano podem transmitir esses micro-organismos. Por isso, a higienização correta das mãos e dos alimentos é fundamental para prevenir a DDA.

Conforme os médicos, o tempo de cura gira entre dois a 14 dias. Para se prevenir, medidas simples podem ajudar, como lavar sempre as mãos, legumes, frutas e verduras e beber bastante água.

Diário do Nordeste

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