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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Polo moveleiro de Marco dinamiza economia


O polo moveleiro de Marco é um exemplo de como a interiorização da indústria é benéfica para a região onde se instalam as empresas. A cidade, localizada a aproximadamente 220 quilômetros de Fortaleza, tem cerca de 24 mil habitantes. Destes, quase dois mil (8,3%) são funcionários de fábrica de móveis. O impacto disso é uma economia que gira em torno das necessidades das empresas que se instalaram naquele que é considerado um dos maiores polos moveleiros do País. 

O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis do Ceará (Sindmoveis), Geraldo Bastos Osterno Júnior, enalteceu a importância da presença das empresas do setor naquela região, em específico. Ele explica o impacto da atividade em toda a cadeia produtiva do entorno. 

"Em Marco, nós geramos aproximadamente dois mil empregos diretos. Isso é um impacto muito grande, também para os municípios próximos. Temos funcionários de todas as cidades vizinhas. O comércio leva uma vantagem enorme com isso. Hoje, temos fornecedores locais de madeira, de chapa, compensado, MDF. Isso faz com que a economia fortaleça. Além da indústria, trouxemos gente terceirizada como artesãos, gente trabalhando com aço inox, fazendo mesas, cadeiras. Também tem as pequenas indústrias de granito, mármore, vidro, que fornecem para as fábricas. Estamos em um nível um pouco mais avançado em relação a fornecimento, está se criando uma cadeia paralela de fornecedores destes tipos de materiais", destacou o sindicalista. 

Afora os fornecedores, Osterno Júnior ainda ressalta a relação da indústria moveleira com a construção civil. Em tempos de crise econômica, a desaceleração da atividade não impediu que a produção de móveis seguisse firme, graças a outras alternativas encontradas, como a venda dos produtos para outros mercados além do local. 

"A indústria de móveis e a construção civil são diretamente proporcionais. Se uma vai bem, a outra também vai. Mas nós, especialmente, temos procurado outros mercados, principalmente exportação e atender outros estados. Então, temos nos saído bem com isso. A crise econômica veio, já está todo mundo adaptado, mas as coisas estão melhorando. O dólar valorizado, forte, tem facilitado as exportações", apontou. 

Vantajoso

Para o presidente do Sindmoveis, o setor enxerga mais vantagens estando localizado no Interior do que se estivesse na Capital do Estado. "Temos muito mais oportunidades por estarmos no Interior. Por outro lado, se a gente precisa de uma correia, um parafuso especial, uma manutenção, ou recorre a Fortaleza ou ao Sudeste/Sul do País. Tem vantagens e desvantagens, mas a verdade é que a turma é empreendedora, enfrenta e resolve o problema", enalteceu. 

Outro ponto destacado por Osterno Júnior é a identificação dos nativos com as empresas. O "vestir a camisa", na opinião dele, pode estar ainda ligado aos benefícios levados à região por conta dos investimentos também do poder público, ressaltando a educação, que recebeu atenção especial para a formação e qualificação de mão de obra para a indústria. 

"O povo é trabalhador, veste a camisa da empresa, eles realmente estão orgulhosos do que fazem, e das empresas em que trabalham. E lá (em Marco), já temos o apoio forte do Sebrae, Senai, Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e do governo do Estado. A escola profissionalizante tem a grade adaptada à indústria de móveis e à irrigação do Baixo Acaraú. Isso foram ganhos que a sociedade, que o povo e as empresas tiveram ao longo do tempo". 

Alternativas 

Osterno Júnior defende que as empresas busquem alternativas de instalação no Interior do Estado, para benefício mútuo. Ainda, diz que o poder público pode oferecer contrapartidas através das melhorias de estruturas para facilitar o escoamento da produção. "É muito claro para todos que é preciso às indústrias, sair da Grande Fortaleza e ir para o Interior do Estado, gerar riqueza. Agora, para isso, é preciso melhorar a infraestrutura, as estradas e tudo o mais. Apesar de termos algumas rodovias muito boas, precisa melhorar ainda mais. E não vejo outra maneira de desenvolver esses municípios, senão através da atividade industrial", asseverou. (LF) 

Fonte: Diário do Nordeste

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