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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Produção de camarão cai e Ceará perde liderança do mercado

Uma vez responsável por mais da metade da produção brasileira de camarão, o Ceará viu essa participação cair nos últimos dois anos em decorrência da doença da mancha branca – enfermidade vinda do extremo oriente que é devastadora para a espécie, mas que não afeta os seres humanos. Em 2015, o Estado produziu mais de 40 mil toneladas, o equivalente a 57% da produção nacional (70,5 mil toneladas). Mas, em 2017, último dado fornecido pelo IBGE, a produção do Estado caiu para apenas 11,8 mil toneladas, cerca de 29% da produção do País (40,9 mil toneladas). 

Conforme o Ceará foi perdendo espaço, o Rio Grande do Norte, mesmo também afetado pela doença, aumentou sua participação no mercado nacional e ultrapassou a produção cearense pela primeira vez em 2017, chegando a 15,4 mil toneladas, o equivalente a 37% da produção do País. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados de 2017 ainda são preliminares e podem sofrer alteração.

A doença da mancha branca, que chegou ao Estado em 2016, não tem cura e é considerada como a mais letal para o cultivo de camarão. O vírus debilita os animais, que ficam vulneráveis a outras infecções que levam à morte, de modo que o camarão morre antes de atingir o peso mínimo para ser comercializado, de sete gramas. Com isso, uma das saídas encontradas pelos produtores para conviver com a doença foi a redução da densidade dos viveiros, o que diminuiu a produção. No Brasil, a produtividade média gira em torno de três toneladas por hectare por ano. Mas em alguns estados, como na Paraíba, a média já chega a 15 toneladas por hectare.

Para enfrentar a doença no Ceará, o presidente da ABCC, Cristiano Maia, juntamente com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), anunciou no fim do ano passado projetos para investimentos em melhoramentos genéticos do camarão e desenvolvimento de estufas, para permitir o cultivo intensivo dos animais. A expectativa é que, até 2020, o Estado volte a produzir nos mesmos níveis em que produzia em 2015.

Com cerca de 7 mil hectares de produção, a criação de camarão em cativeiro no Ceará gera cerca de sete mil empregos diretos e 10 mil indiretos nos polos de Acaraú, Coreaú, Mundaú-Curu, Baixo e Médio Jaguaribe. Segundo a Adece, cerca de 180 fazendas atuam no segmento de produção de camarão no Estado. Dados do IBGE apontam que o volume de recursos movimentados pelo setor caiu de R$ 468 milhões em 2015 para R$ 366,9 em 2016 e R$ 239,9 milhões em 2017.

Blog O Acaraú
com informações do Diário do Nordeste

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